Sua opinião é realmente sua?

By: Renato Rosa

Já não é novidade o funcionamento dos algoritmos responsáveis pelos parâmetros de entrega de conteúdos e conexões das redes sociais. Teoricamente, os conteúdos sociais que temos acesso são favoráveis à nossa opinião e, de certa forma, nos poupa tempo de busca por uma melhor experiência social. Não apenas conteúdos, mas assuntos, marcas e até posicionamentos políticos são priorizados em meio a um número quase indigesto de posts e mídias entregues por um feed social.

Desconsiderando os impactos provenientes de uma eventual polarização partidária, eventuais bolhas de opinião e clusterizações de audiência desses ambientes, o problema começa a ficar mais evidente quanto essa mesma lógica atinge o mercado de consumo – saindo das redes sociais.

Aquela dúvida que acaba surgindo quando você busca uma passagem aérea e, a partir da segunda consulta pelo mesmo trecho – mesmo que em outro site – aparenta a ter um preço consideravelmente mais alto. Aquele produto que você visualizou com um clique no Instagram ganha prioridade em um e-commerce por um preço questionável. O contato que você adicionou no telefone começa a aparecer como uma sugestão de amizade em uma rede social.

Tudo isso faz parte de uma estrutura de dados interligados sobre você, seus gostos, preferências e características sociais, compartilhado por grandes players da indústria do consumo, comunicação e marketing digital.

Até agora nada é novidade, mas começa a ser quando você consegue perceber que as opções que você tem para tomar uma determinada decisão não representam efetivamente todo o espectro possível. Isto é, sua opinião é determinada pelo que você recebe de informações. Se o universo o qual você é exposto é limitado, você tecnicamente está sendo manipulado.

Baseado na teoria de que conhecimento é liberdade – e você acredita conhecer todas as opções para tomar uma determinada decisão – você possui uma liberdade restrita às camadas informação entregues à você. Logo, o maior problema não é você não ser livre, mas acreditar ser, o que garante que você nunca buscará a liberdade.

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