Privacidade x Apps: entregar-se ou conscientizar-se?

By: Alexandre Vasconcelos

Privacidade é um tema recorrente na maioria das matérias relacionadas à segurança e tecnologia, o crescente número de smartphones e soluções que utilizam a nuvem para armazenar e processar informações são os principais alavancadores deste processo.

Fabricantes de assistentes virtuais, como o Alexa, Siri e Cortana, argumentam que só ouvem e coletam informações quando ordenados. No entanto, o tratamento destes dados ainda é um mistério. Motivada por esta polêmica, a Apple anunciou que suspenderia a coleta de conversas de usuários via Siri. A dúvida ainda persiste: como estes dados são tratados?

Recentemente, um aplicativo ganhou destaque em termos de privacidade: o FaceApp. Aparentemente inocente, o App aplica filtros em uma selfie e simula o envelhecimento do usuário. Divertido, curioso e controverso. Divertido, pois muitos tem a curiosidade de ter uma ideia da aparência daqui a alguns anos; curioso pois mostra como a tecnologia pode ser utilizada para propósitos inesperados; e controverso, pois desperta a pergunta: o que esta empresa está fazendo com as informações de seus usuários? O que dizer ou pensar de um aplicativo Russo que desenvolveu uma tecnologia de IA (Inteligência Artificial), que aplica filtros de forma tão interessante (envelhecendo, rejuvenescendo e até mesmo criando sorrisos)?

Existirá mesmo razão para tanta preocupação quanto à privacidade dos dados compartilhados com aplicativos como o FaceApp? Antes de responder a esta pergunta e chegar a qualquer conclusão é sempre importante tentar entender os indícios e motivações, como um detetive procurando por respostas. Nos dias de hoje não é difícil notar que a maioria das pessoas busca distração e diversão ao instalar e aceitar os termos e condições de uso de aplicativos; apesar de legítimo, é displicente. Outro indício é que as empresas na era digital em que vivenciamos procura nichos para crescerem, e com o FaceApp não é diferente. Novamente, isto é perfeitamente legítimo.

Vamos às motivações. O uso de IA pode ser amplificado e utilizado em inúmeras outras indústrias, tecnologias que atraem investidores para as empresas, sendo uma das principais maneiras de conseguir o tão sonhado “valuation”, ou seja, multiplicar seu valor de mercado. Outra vez, totalmente legítimo.

Neste ponto, é importante mencionar que o FaceApp – ainda – não é nenhum tipo de vilão ou agente infiltrado do governo Russo. A ideia aqui é ilustrar como é muito tênue a linha entre privacidade e uso de informações pessoais, podendo pender para o mal ou reforçar o conceito de segurança.

No entanto, existe uma sutileza que a maioria dos usuários não percebe, que são as mudanças repentinas nos termos de uso de aplicativos gratuitos que solicitam acesso a dados pessoais. Via de regra, pouquíssimos param para ler o que mudou nestes termos e um número menor ainda deixa de usar aplicativos devido a estas mudanças. Aqui pode estar o perigo, pois quando não estamos preparados – e totalmente entregues ao uso do produto, ou até mesmo esquecemos que ele existe, mas está lá instalado e coletando dados – é que os problemas de privacidade começam.

O que fazer? Esquecer e fingir que nada está acontecendo, deixar a vida seguir? Afinal, é só um aplicativo inofensivo; ou conscientizar-se e procurar mais assertividade e selecionar com critério o que instalamos em nossos smartphones?

Sem dúvida que ler termos e condições (e suas atualizações) não é tarefa simples nem agradável, ainda mais para quem tem tanta coisa para entregar no final do dia, não é verdade? Mas vale o exercício de vez em quando, pode ser mais assustador que um livro do Stephen King. Acredite.

Enquanto isso, considerando que os smartphones estão assumindo um papel cada vez mais crucial no dia a dia de todos, nada mais razoável do que fazer escolhas mais sensatas para o que será instalado por lá.

Em tempos de redes sociais precisamos aprender a reduzir os níveis de exposição e cuidar mais da privacidade.

Alexandre Vasconcelos, COO – Chief Operating Officer da Sikur.

Fonte: TI Inside

Cuidado: seus dispositivos ouvem, gravam e arquivam o que você fala

By: ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

Saiba como smartphones, notebooks e assistentes virtuais invadem sua privacidade todos os dias, coletando e analisando seus dados em sistemas de inteligência artificial

Se você passa os dias imaginando se seu smartphone, notebook, tablet, ou suas assistentes virtuais AlexaSiri Cortana estão vigiando você, pode parar de imaginar. A resposta é sim. Todos esses dispositivos ouvem, registram, arquivam e monitoram, de alguma maneira, o que você fala. Os registros podem ser em áudio, em transcrições completas ou resumos. E o uso que é feito desses dados nem sempre é claro, de acordo com o The Guardian.

Alvo de críticas sobre o possível uso de gravações feitas pela assistente Alexa, a Amazon diz que seus produtos são vilificados de maneira injusta. Segundo a companhia, é verdade que os dispositivos escutam o tempo todo, “mas de maneira nenhuma transmitem tudo que ouvem”. Só quando um dispositivo ouve a palavra de despertar “Alexa”, é que a gravação é mandada para a nuvem e analisada, dizem.

O argumento é o mesmo usado por todas as companhias de tecnologia acusadas de espionar os consumidores: elas dizem e que só ouvem quando recebem uma ordem expressa para isso. Dizer a frase “OK, Google” desperta os aparelhos da companhia. Mesmo que isso seja verdade, fica a pergunta: depois que a escuta começa, o que acontece?

Fontes da Apple, que se orgulha da maneira como protege a privacidade do usuário, dizem que a Siri tenta satisfazer todas as demandas possíveis de maneira direta no iPhone ou no computador do usuário. Caso uma demanda seja levada à nuvem para uma análise adicional, será marcada com um identificador em código, e não com o nome do usuário.

As gravações ficam arquivadas por seis meses, para que o sistema de reconhecimento de voz possa aprender a entender melhor a voz daquela pessoa. Depois, outra cópia é salva, sem o identificador, para ajudar a Siri nos próximos dois anos.

No caso das outras gigantes de tecnologia, os áudios são mandados diretamente para a nuvem. Daí, computadores tentam adivinhar a intenção do usuário e satisfazê-la. Depois, as empresas poderiam apagar a solicitação e a resposta do sistema, mas geralmente não fazem isso. A razão são os dados. Para a inteligência artificial da fala, quanto mais dados, melhor.

Qualquer usuário pode logar em sua conta na Amazon e no Google e ver uma lista de todas suas perguntas em áudio. Esses arquivos só serão apagados se a pessoa que fez a pergunta tomar a iniciativa. Caso contrário, ficarão registrados para sempre.

É verdade que todas as suas buscas por escrito no Google e outros mecanismos de busca também ficam registrados. Mas, para muita gente, ter o som de sua voz arquivado por uma empresa soa muito mais invasivo.

Sem garantias
Praticamente todos os fabricantes de sistemas de inteligência artificial, dos amadores até os gênios da IA nas grandes companhias, reveem pelo menos algumas das transcrições das interações dos usuários com suas criações. A meta é descobrir o que é funcional, o que precisa ser aprimorado e o que os usuários estão dispostos a discutir. Há muitas maneiras de fazer isso.

Os registros podem ser modificados para que o funcionário encarregado não veja os nomes dos usuários individuais. Ou eles podem ver apenas dados resumidos. Por exemplo, eles podem aprender que uma conversação termina depois de uma determinada frase do bot, o que os leva a fazer um ajuste. Designers na Microsoft e no Google, e outras companhias, também recebem relatórios detalhando as perguntas mais populares, para que eles saibam qual conteúdo adicionar.

Mais: https://epocanegocios-globo-com.cdn.ampproject.org/c/s/epocanegocios.globo.com/amp/Tecnologia/noticia/2019/05/

Facebook admite que ouviu e transcreveu áudio de usuários

By: Louise Rodrigues

Após polêmicas envolvendo Apple e Amazon, o Facebook garantiu que interrompeu o programa de transcrição

Facebook admitiu, nesta terça-feira (13), que pagou profissionais para transcrevem os áudios enviados pelos usuários de seus serviços. Segundo a agência de notícias Bloomberg os contratados escutavam todo o tipo de conversa, mesmo sem informações sobre como os áudios foram obtidos e onde foram gravados. Após polêmicasenvolvendo Siri e Alexa, assistentes virtuais do iPhone e do Amazon Echo, o programa teria parado.

O Facebook, porém, alegou que os usuários que tiveram suas conversas invadidas foram, unicamente, aqueles que optaram, no aplicativo Messenger, por terem seus áudios transcritos. Por isso, o objetivo seria certificar que o software era capaz de interpretar de forma correta as palavras. Apesar disso, o porta-voz garantiu o anonimato dos usuários.

O Facebook, porém, alegou que os usuários que tiveram suas conversas invadidas foram, unicamente, aqueles que optaram, no aplicativo Messenger, por terem seus áudios transcritos. Por isso, o objetivo seria certificar que o software era capaz de interpretar de forma correta as palavras. Apesar disso, o porta-voz garantiu o anonimato dos usuários.

Mais: https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/08/facebook-admite-que-ouviu-e-transcreveu-audio-de-usuarios.ghtml